Quem faz parte da sua cena?

by Elis Alves posted 27/03/2014 category Inspiração, Interessante, Links Úteis, Pessoal, Relacionamentos

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Escrito por James Altucher e traduzido com permissão do autor por Elis W. Alves.  (Foto: Nina Villas-Boas)

Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs fizeram faculdade (Columbia) juntos  (não tenho certeza se Burroughs também, mas ele frequentava o lugar). Ginsberg entrou para a publicação de livros e ajudou Kerouac a publicar “On the Road “, que se tornou como uma bíblia para jovens de 22 anos em vários lugares.

Quando Burroughs estava mal e envolvido drogas no Marrocos e Ginsberg foi visitá-lo, encontrou papéis jogados a esmo  no chão do apartamento. Juntou tudo  (mal e mal), editou (mal e mal), e publicou-o como o agora clásssico (ui, odeio isto)  “Almoço Nu”.

Juntos, os três se ajudavam mutuamente a publicar livros, vender sua arte, ter sua poesia lida e assim por diante. Mesmo que seus estilos fossem completamente diferentes , eles criaram um movimento do qual todos os escritores da época queriam participar, o Movimento Beat.

Nesta mesma época, o pintor Jasper Johns vivia com o artista Robert Rauschenberg e  eles andavam com o bailarino Merce Cunningham e o compositor John Cage. Eventualmente, conheceram Leo Castelli, que vendeu suas obras por milhões.

Quando se conheceram, todos eram completamente desconhecidos.

No Vale do Silício: Facebook, Palantir  Youtube, Tesla, LinkedIn, Yelp, Yammer, e  muitas mais foram todas largamente financiadas ou iniciadas por ex- funcionários do PayPal (acredite ou não o patrimônio líquido de Peter Thiel vem mais de seu investimento na Palantir – o software que a NSA usa para espionar as pessoas – do que do Facebook).

Como comentei em outro post: HBO, Showtime (da Viacom), Starz, FX, Universal, e programas como “Mad Men”, “House of Cards” e etc foram todos iniciados por um grupo de pessoas que trabalharam juntas na HBO.

Se você assistir a entrevistas de comediantes como Louis CK, Jerry Seinfeld, Larry David e Chris Rock, todos eles trabalharam juntos em clubes obscuros por anos, cada um abrindo o show para o outro vezes sem conta, até que estouraram um por um e puxaram seus amigos talentosos com eles.

Voltando a 2008/2009, eu passei oito anos construindo minha “cena” no espaço financeiro e comecei a perceber que ela simplesmente não estava funcionando para mim. Fracassei na construção dela. Estava com medo e me sentia muito solitário. Talvez nenhuma dessas pessoas realmente gostasse de mim, talvez me achassem um fracasso, talvez eu quem não gostasse delas, ou não sei qual o problema. O fato era que não estava funcionando.

Eu fui expulso de diretorias, perdi todos os meus bicos de redação, perdi todos os meus seriados de TV, fracassei nas oportunidades que me deram. E isto começou a se espalhar para todas as áreas da minha vida: me divorciei, perdi minha casa, fui à falência. Eu ouvia as pessoas falando mal de mim pelas costas. Dane-se. Não importa. Era a cena errada para mim. Blérg.

Em vez de me sentir criativo e inovador me sentia cada vez pior. Quando você tem ao seu redor pessoas com energia positiva, mais energia é criada. Mais arte é criada. Mais inovação com mais integridade com mais oportunidades. Você pode literalmente comer menos se tem ao seu redor pessoas que te dão energia e te puxam para cima.

Aí comecei o blog. Percebi que não tinha nada a perder. E nada efetivamente a ganhar. Eu não conhecia a cena em que estava entrando, só queria voltar a fazer o que amei há 20 anos atrás: a escrita.

Mudei 70 milhas para o norte da cidade só para escapar da minha velha “cena” e agora eu não tinha nada e estava me preparando para ir novamente à falência após começar e vender várias empresas e fracassar constantemente.

Mas pouco a pouco, eu conheci pessoas incríveis. Pessoas de outras regiões do país ou do mundo fazendo o mesmo que eu.

Elas me mandavam recados. Ou me ligavam com alguma idéia. Ou promoviam meu trabalho. Ou me apresentavam a alguém. E eu retribuía da mesma forma. Todos nós gostávamos das coisas um do outro. Todos nós tirávamos um tempo do nosso próprio trabalho para ajudar uns aos outros.

Já voei para todo o país para me encontrar com elas, aprender delas, criando novas e reais oportunidades tanto para mim quanto para elas. Todos ajudando todos no que pudermos, se pudermos, da única forma que pudermos.

Eu me sentia mal por não ter uma cena em 2009. Mas isso não importa. Quando você faz o que você ama, ou faz algo no qual você é bom (você aprende a amar aquilo em que você é bom) ou até mesmo algo que você faz com autenticidade e integridade (porque aí você se torna uma fonte confiável dentro de uma cena) aí as pessoas se aproximam de você.

Como você rentabiliza um cena? Isso acontece naturalmente. Cada pessoa que eu conheci que considero parte da minha cena já me deu oportunidade de ganhar dinheiro. Algumas destas oportunidades foram aproveitadas, algumas não; mas trabalhamos juntos de outras formas (existem muitas, várias maneiras das pessoas apoiarem e ajudarem umas as outras).

Artistas e empresários nunca trabalham sozinhos. Há sempre um contexto. Há sempre outras pessoas de todo o mundo com quem você pode trocar idéias e construí-las juntos.

E se você disser que não é um criador, eu não vou acreditar em você. Todos nós temos nossas paixões secretas guardadas na gaveta. Todos nós podemos descobrir o caminho até aqueles que nos inspiram – pessoas que admiramos, que queremos imitar e ajudar.

Aí tudo fica divertido. São como duas crianças que, construindo uma cidade de blocos de madeira, não se importando com o que aconteceu antes ou o que acontecerá depois.  Só queremos construir as coisas mais legais com os nossos blocos. Vamos torná-la cada vez maior. E cada vez mais colorida. E se todos os blocos caírem podemos rir e começar tudo de novo.

Hoje eu estou em Seattle (e ODEIO viajar) para me encontrar com uma das pessoas que eu considero ser parte da minha cena. Fazem quase quatro anos que o conheço. Desde então já nos encontramos em cinco cidades diferentes para diferentes conferências, reuniões, etc.  Temos livros escritos e cada um apoiou os livros do outro com idéias e inspiração. Também ajudamos um ao outro nos negócios e também à outras pessoas na nossa cena.

Há uns meses atrás, ele tinha me apresentado a alguém, aí eu escrevi umas idéias, aí recebemos um convite e agora ambos estamos indo, hoje de manhã para vistar… a Amazon. Para fazer o quê?

Quem sabe? Só estamos indo. Não tenho idéia do por que estamos aqui. Só sei que vai ser bem divertido.

Como você constrói uma cena:

  • Encontre pessoas cujo trabalho te inspira. Homens de negócio, escritores, artistas, quem quer que seja.
  • Pense em idéias que pode dar a elas. Como você pode ajudá-las?
  • Começe a fazer seu próprio trabalho. Compartilhe com as pessoas que você gosta. Interaja com as pessoas que interagem com você com sinceridade.
  • Tente encontrar pessoas que te inspiram. Algumas delas estão ocupadas. Algumas gostariam de conhecer.
  • Vá a conferências e conheça pessoas que te inspiram.
  • Trabalhe todos os dias. Crie todos os dias. Compartilhe todos os dias. As pessoas com quem você compartilha coisas lentamente se solidificam como parte da sua cena.
  • E… repita. Nunca pare de ajudar.

Nunca pare de edificar outros. Nunca pare de apresentar pessoas (com permissão de ambas antes de apresentá-las). Nunca pare de agregar valor à Cena. Quanto mais poderosa a Cena, mais provável é que você se divertirá fazendo o que faz, ganhando dinheiro com isto, sendo bem sucedido nisto, vivendo disto, amando isto e fazendo amigos.

Então tá, vou encontrar meu amigo lá embaixo agora e ir para a Amazon.

Comece listando quem deveria estar na sua cena hoje.

 

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